quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Quero dormir com você

Depois do sexo, que não haja outro compromisso,
não quero sair correndo e deixar a impressão de que "é carnal, só isso".
Quero nos teus laços me aconchegar,
do teu ar usufruir
e o teu cheiro em minha pele fixar.
Quero mais que carnalidade:
nos movimentos, sincronia;
caixas de desculpas e desfesas, vazia;
que no sentimento haja reciprocidade;
nos olhares e sussurros, verdade;
nos toques e gemidos, vontade;
na entrega, totalidade,
nada de miséria,
nada pela metade.
Ao fim dessa busca por saciar os corpos,
que seja outro nosso foco,
não há necessidade de mudar de lugar,
é questão de filtrar o ar,
livrá-lo dessa falta de pudor
e contaminá-lo com carinho e amor.
Chegou a hora de sentir internamente,
com a alma,
intensamente,
mas com calma.
De se entender pelo olhar,
sem ter que disfarçar,
sem desviar...
apenas penetrar, desvendar!
Após esse diálogo,
após isso tudo,
não resta nada a dizer...
me abraça forte, quero dormir com você...
somente com você!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Desculpe-me

Desculpe-me por ser quem eu sou e ser para você quem não sou para mim.
Por não passar de uma vã idealização, um sonho... um sonho!
Desculpe por corresponder de forma irreal seus reais e profundos sentimentos,
Desculpe por não ser capaz de te querer, de te amar, de te ser....
Desculpe pela caminhada desperdiçada, palavras ao vento, declarações infundadas...
Desculpe-me pelos gélidos carinhos, pelas palavras calientes sem calor real, pela entrega sem devoção, sem paixão... tesão... tensão...
Desculpe-me por brincar, ludibriar de forma fria, calculista, insana... sacana!
Desculpe-me por nossa relação... por essa real ação de desigualdade sentimental!
Desculpe-me por ser quem eu sou e ser para você quem eu não sou pra mim... Desculpe-me pelo nosso fim...
Fim...
Enfim...

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Àqueles olhos

Nos teus olhos me perco e me acho,
Nos teus braços diminuo e cresço,
Nessa dualidade enlouqueço
E essa loucura eu disfarço.

É disfarçando que sigo
Nadando nos rios escuros que me envolvem,
Procurando um amor, um amigo
Entre tantas ilusões que se dissolvem.

Ilusões que em mim se constroem
E que no outro se projeta,
Castelos que se destroem
Enquanto a realidade me alerta.

Alerta-me! Diga-me o que há.
Liberta-te e assim me libertará
Desses rios semi negros tire os véus,
Permita-os transbordar até os céus.

Não esconda o que há dentro de ti,
Deixe essa água fluir até o mar,
Não tenha medo de me encontrar,
Não tenha medo de me sentir...

terça-feira, 21 de setembro de 2010

CANSEI

É duro sorrir com lágrimas rolando na alma,
ter raiva e aparentar calma,
falar que está tudo bem
quando não se quer mais ir além.

Não te restam forças para lutar,
nem vontade de se reerguer.
O que você quer é se entregar,
o que você quer é morrer.

Todos dizem que a vida é bela,
mas cadê essa face dela?
Você conhece a face cruel,
não a doce, mas a de fel.

Você não pertence a nenhum lugar,
mesmo porque você não quer se encaixar, você quer se encontrar.
Mas nada lhe é permitido
e por isso tens sofrido.

Nada te completa,
nada te consola...
É por isso que você interpreta,
por isso você se isola.

E passas transparente
por toda essa gente.
Ninguém te vê,
ninguém te entende,
ninguém te sente.

E cada vez mais você se desfaz,
pois de se reconstruir não é capaz...
Seus sentimentos já não existem,
seus pedaços já não vivem.

E tudo te leva tão longe, tão fundo...
Distante do SEU MUNDO.
E você perde o chão, 
a vida perde a razão.

Você se encontra na contramão,
sem noção de direção.
Não aguentando mais andar
resolve descansar
para nunca mais acordar.

domingo, 19 de setembro de 2010

Libertinagem... liberdade!

Todos sabem da minha paixão por poesia, até arrisco escrever algumas... Então criei coragem pra postar uma delas!


Lábios castos,
vastos,
por vezes devassos


Braços que se abrigam,
que sufocam,
que provocam,
que intrigam.


Pernas que enlaçam,
que envolvem,
meios que se descobrem,
membros que se encaixam.


Peles que exalam,
que transpiram,
que inspiram,
que se igualam.


Sons que se confundem,
que se fundem,
alguns de quem mente,
outros de quem sente.


Mundos tensos,
densos,
imensos.


Assim fazemos mundos,
às vezes mudos, outras horas agudos,
por vezes graves, mas sempre suaves
e infindáveis...

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Infindável...

Como não falei delas antes?
Das minhas 3 mosqueteiras... as mafiosas... aquelas que juntas comigo formam o "quatro divisível por tantas alegrias"... 
Aquelas que não sei ao certo dizer quando entraram na minha vida, mas sei exatamente quando elas sairão: NUNCA!!
Tudo bem que algumas vezes eu cheguei a pensar que nossa amizade estava por um fio,  mas sempre que isso acontece, parece que algo maior nos reúne, seja na casa daquela louca que cozinha melhor que eu, ou daquela patricinha que eu não consigo odiar, ou ainda na casa daquela intelectual  fã de Clarice Lispector... aqui em casa é raridade quando elas aparecem, mas fazer o que se eu tenho que morar longe de todas?
Sendo tão diferentes, me pergunto como é que nos suportamos?
Uma é totalmente louca, fala alto, é do tipo que perde o amigo, mas não a piada, tem a língua mais afiada que qualquer espada de samurai, é desastrada que só ela... o que fascina é sua alma infantil!!! (sem falar suas habilidades na cozinha). Ah! Por falar em cozinha... ela faz algo que eu detesto: ela sempre fala durante a semana que no final de semana fez bolo, esfirra, coxinha, pão de queijo, torta e detalhe: nunca me convida!!! Vou relevar!
A outra, a tal da patricinha, faz acho que tudo que me irrita, se vamos sair ela tem q lavar o cabelo, fazer escova, chapinha, passar maquiagem, colocar um salto e estar impecável!! Não tenho paciência de esperar e mesmo assim sempre a espero! Fora que ela tem preguiça de andar, só vai em baladas de "gente fina" e detesta que gritem o nome dela na rua... e o que eu acho mais engraçado: ela gosta de fumaça de caminhão (estranho, né?).
A intelectual é daquele tipo de pessoa parada... estou quase desistindo de chamá-la pra sair, ela nunca está disposta e agora com a faculdade piorou porque ela tem a desculpa de que tem que estudar!! Disse no começo que não saberia dizer quando elas entraram na minha vida, mas a intelectual eu sei... desde sempre, somos amigas de berço. Ela é até a minha madrinha (de crisma)! Ela é daquelas observadoras, detalhistas, tem uma memória incrível e resposta pra tudo! Das três ela é a mais próxima à mim, mesmo morando em outra cidade... são conversas e mais conversas no celular ou no msn!
Somos quatro amigas inseparáveis apesar da distância e dos rumos que a vida de cada uma tomou... E eu sofri com isso, acho que todas sofremos com o fato de nossas reuniões terem diminuído, com o fato de termos crescido e termos que assumir responsabilidades, o fato da vida nos cobrar um tempo que queríamos nos dedicar e agora não o temos...
Crescemos... não somos mais aquelas meninas que corriam descalço na rua; amarravam uma rede nos portões e jogavam volei o dia inteiro;brincavam de escolinha; montavam balanços em àrvores; cuidavam de bonecas e de lares imaginários; assistiam Chiquititas, aprendiam as músicas e coreografias e dançavam juntas; faziam comida de brinquedo e se deliciavam por horas; guardavam dinheiro para comprar doces; colecionavam revistas; brigavam por motivos insignificantes, mas estavam sempre juntas... 
Agora que somos "adultas" temos que nos preocupar com provas e trabalhos da faculdade; problemas do trabalho; como pagar as contas no fim do mês; três de nós fazem licenciatura, acho que é uma forma de continuar a brincadeira de ensinar; ouvimos outros ritmos e aprendemos outras coreografias, mas nunca nos esqueceremos das Chiquititas e as disputas que fazíamos pelos papéis; aprendemos a cozinhar de verdade (pelo menos eu e a louca desastrada) e nos reunimos só para comer, cada tarde é destinada à alguma comida: pastel, torta de limão, coxinha, bolinha de queijo, bolo de cenoura...; agora guardamos dinheiro para livros, xerox, inscrições em congressos; não brigamos mais, nem isso o tempo nos permite, afinal nem temos tempo de ficar juntas...
Como é chato crescer, mudar, se distanciar... Como é chato enfrentar a vida longe de vocês...
Guardo na lembrança o tempo em que o tempo nos permitia ter tempo...
À elas: Lyka, La e Gi...
Incansavelmente e  imensuravelmente EU AMO VOCÊS...

"...Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo
É o meu amor...
E a gente canta
E a gente dança
E a gente não se cansa
De ser criança
A gente brinca
Na nossa velha infância..."
Velha Infância - Os Tribalistas

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Quando ela entrou... na sala, na minha vida... Quando ela entrou?

Ouvi que alguém batia na porta... fui abrir rezando para não ser ninguém com propósitos não adequados para a hora do almoço.
Era ela... a Preta Rara!
A felicidade dentro de mim era enorme (e ainda é) e eu queria exteriorizar esse sentimento, queria apertá-la no meu abraço, envolvê-la num laço, mas não consegui sequer dar um passo... sua presença ainda me intimida e eu sei o porque disso, mas será que ela sabe? Será que já percebeu?
Ela também se sente um pouco constrangida na minha presença, o que é natural porque nos conhecemos há pouco tempo, ainda não temos aquela liberdade das grandes amizades, mas estamos caminhando para isso... ou melhor, ela está. Não que eu não queira sua amizade, mas será que é só isso que eu quero? Será que é o bastante?
Como falei mais acima, a presença dela me intimida e quem está lendo já deve saber o porque, mas posso ainda assim explicar: ela tem um ar de mistério que incita em mim uma vontade de ser detetive; ela tem uma voz pura e calma que me faz querer ouví-la por horas (as horas que não temos juntas, infelizmente); é dona de uma inteligência afrodisíaca, a qual eu temo não ser capaz de alcançar; tem um sorriso que não consigo nem descrever como é e muito menos o que ele me causa... "Estar" com ela é sinônimo de salvação e perdição!
Não vou falar aqui da minha orientação, ou opção, ou condição sexual... acho que todos já sabem: sou livre! Mas e ela? O que é ela? Hétero? Bissexual? Homossexual?
Que angústia... eu preciso descobrir quem ela é, o que ela quer... Eu preciso descobrí-la! 
Eu quero descobrí-la!
"...Raro, é algo tão difícil de se ter
E foi na luz do teu olhar
que eu vivi o que é sonhar
eu não quero mais viver sozinho...
Pretinha tão rara
O teu jeito é minha cara...