No que se inicia eu coloco reticências e que seja o que essa nossa grafia quiser!
Que nossa história seja composta por versos livres, que a métrica não nos aprisione.
Também não sejamos adeptos da gramática normativa, esse dinossauro que nos sufoca. Que possamos andar livremente pela sociolinguística, pois o importante é nosso entendimento e não a classificação.
Que sejamos bilíngues, trilíngues, ou até poliglotas, mas que haja em cada língua um dicionário só nosso que agregue nossos significados e significantes.
Que Bakhtin tenha "inventado" mecanismos para a análise dos nossos discursos silenciosos, faciais e corporais;
E que haja gêneros literários suficientes para narrar a história dos nossos silêncios, nossos sorrisos, nossos movimentos e de nossas línguas...
"Somos donos dos nossos atos, mas não somos donos dos nossos sentimentos. Somos culpados pelo que fazemos, mas não somos culpados pelo que sentimos. Podemos prometer atos, mas não podemos prometer sentimentos... Atos são pássaros engaiolados; sentimentos são pássaros em voo." (Mario Quintana)
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sábado, 20 de novembro de 2010
terça-feira, 21 de setembro de 2010
CANSEI
É duro sorrir com lágrimas rolando na alma,
ter raiva e aparentar calma,
falar que está tudo bem
quando não se quer mais ir além.
Não te restam forças para lutar,
nem vontade de se reerguer.
O que você quer é se entregar,
o que você quer é morrer.
Todos dizem que a vida é bela,
mas cadê essa face dela?
Você conhece a face cruel,
não a doce, mas a de fel.
Você não pertence a nenhum lugar,
mesmo porque você não quer se encaixar, você quer se encontrar.
Mas nada lhe é permitido
e por isso tens sofrido.
Nada te completa,
nada te consola...
É por isso que você interpreta,
por isso você se isola.
E passas transparente
por toda essa gente.
Ninguém te vê,
ninguém te entende,
ninguém te sente.
E cada vez mais você se desfaz,
pois de se reconstruir não é capaz...
Seus sentimentos já não existem,
seus pedaços já não vivem.
E tudo te leva tão longe, tão fundo...
Distante do SEU MUNDO.
E você perde o chão,
a vida perde a razão.
Você se encontra na contramão,
sem noção de direção.
Não aguentando mais andar
resolve descansar
para nunca mais acordar.
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