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domingo, 26 de dezembro de 2010

Amplexo


Eu não estava disposta a acordar cedo e comparecer àquela cerimônia, mas algo me expulsou da cama e me fez caminhar até lá.

Chegamos ao mesmo tempo e ele estava abraçando minha mãe, mas não me cumprimentou...
Fiquei lá e cerca de 20 minutos depois ele retornou e com ele veio a lembrança do dia em que nos conhecemos, pois estávamos no mesmo local onde tudo começou, onde nossos olhares se cruzaram e esse sentimento teve início.
Ao fim da cerimônia ele me cumprimentou, me deu um abraço tão acolhedor, quente e aconchegante... E nele eu me entreguei, me deixei sentir e levar por aquele momento que eu esperava há alguns meses.
Procurei transmitir pelos meus braços e peito aquilo que estava transbordando aqui dentro: o amor, o carinho, a saudade, a vontade de tê-lo por perto novamente e eternamente. Senti que não fui a única a transmitir tais sentimentos, aqueles braços ao me envolver diziam que sentiam falta de ter-me em meio a eles novamente... E ele me apertou, e eu retribui!
Pode ser que tenha sido apenas um abraço sem maiores pretensões, um gesto de carinho pelo que vivemos. Talvez não seja nada disso, talvez de tanto acreditar que ele ainda tenha algum sentimento por mim, eles acabaram sendo incutidos naquele ato, e eu, de fato, acreditei e naquele instante voei... Voei com ele, como costumava ser.. só nós dois e o nosso mundo!
E eu quero de volta, apesar de dizer que não nasci pra ter relacionamentos, que não quero casar. Com ele tudo muda, tudo é sublime, tudo sou eu, tudo é ele e tudo somos nós... nós...
E no lugar onde nos conhecemos, onde nosso sentimento nasceu, renasceu a esperança de tê-lo novamente!
Ele com seus amplexos e ósculos e sua totalidade!
Eu o quero... Eu o amo!





Amplexo (voz)

terça-feira, 21 de setembro de 2010

CANSEI

É duro sorrir com lágrimas rolando na alma,
ter raiva e aparentar calma,
falar que está tudo bem
quando não se quer mais ir além.

Não te restam forças para lutar,
nem vontade de se reerguer.
O que você quer é se entregar,
o que você quer é morrer.

Todos dizem que a vida é bela,
mas cadê essa face dela?
Você conhece a face cruel,
não a doce, mas a de fel.

Você não pertence a nenhum lugar,
mesmo porque você não quer se encaixar, você quer se encontrar.
Mas nada lhe é permitido
e por isso tens sofrido.

Nada te completa,
nada te consola...
É por isso que você interpreta,
por isso você se isola.

E passas transparente
por toda essa gente.
Ninguém te vê,
ninguém te entende,
ninguém te sente.

E cada vez mais você se desfaz,
pois de se reconstruir não é capaz...
Seus sentimentos já não existem,
seus pedaços já não vivem.

E tudo te leva tão longe, tão fundo...
Distante do SEU MUNDO.
E você perde o chão, 
a vida perde a razão.

Você se encontra na contramão,
sem noção de direção.
Não aguentando mais andar
resolve descansar
para nunca mais acordar.