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terça-feira, 19 de julho de 2011

Polisipo

Toda garota idealiza o amor da sua vida: ele será alto, forte, inteligente, carinhoso, apaixonado, dedicado, fiel, pra agradar a minha mãe ele não beberá nem fumará, será educado, caseiro, terá um bom emprego, entre outras virtudes.
Será que pensamos que se mentalizarmos todas essas qualidades o nosso príncipe encantado irá se materializar?
Não desperdice tanta energia assim com algo tão incerto, ou melhor, irreal! Sabe por que não achamos esse príncipe descrito acima? Porque ele simplesmente não existe, nós que projetamos tudo isso naquele pelo qual nos apaixonamos!
Eu e tantas outras já cometemos esse erro tantas e tantas vezes e mesmo assim não aprendemos!
A grandeza de nossos sonhos é pesada de mais para meros mortais.
Depois de dois anos (e de estar cansada de idealizar) foi que ele apareceu, mas sem todos os adjetivos acima citados.
Caseiro não era porque nos conhecemos numa balada... ponto negativo!
No dia seguinte, festa de aniversário: ele bebe = menos um ponto! Logo em seguida um cigarro... cara*** menos um ponto? Pra ajudar ele é ex de  uma menina que não gosta de mim e é amiga de uma amiga minha... mas acho que não dá pra tirar um ponto por isso.
No decorrer da festa fomos conversando e ele se mostrou um cara interesssante... Fomos para um churrasco de uns amigos dele e ele quis aprender a dançar... ponto positivo! Adoro homens que dançam!
Ficamos conversando, dançando, rindo e nada de beijo. Achei que nada ia acontecer, ficaríamos só construindo uma amizade... De repente ele se aproximou e aconteceu! Ponto positivo!
O churrasco continuou e nós também, até ele me levar pra casa às 04h e me dizer que tinha outra! Damn! Quantos pontos eu subtraio nessa?
Depois dessa eu poderia ter desistido, mas não foi o que eu fiz e não sei porque, ou melhor, até então não sabia! Era uma vontade absurda de falar com ele, de vê-lo e eu nem lutei contra isso! Nos encontrávamos constantemente e isso não me incomodava, como era com os outros, não atrapalhava a minha tão desejada liberdade!
Seus braços eram o lugar onde eu mais me sentia livre, era tão bom e tão confuso... até que ele falou que não estava mais com a outra, mal pude conter minha felicidade! Seríamos só nós dois, só eu e ele!
E eu já sabia o que me esperava: ciúme, limitações, tempo reduzido com os amigos, novas amizades, novos lugares para ir, inveja... e eu não tive medo! Resolvi lidar com isso!
E tudo voltou: voltei a ser insegura, a me sentir uma boba, a sentir ciúme e ficar neurótica! E eu tive que lidar com isso de novo! Mas com isso voltaram outras coisas... o sorriso bobo, o estar nas nuvens, a distração, os sonhos, o coração disparando, a saudade, o apego e por que não o amor?
Como eu disse: ele apareceu sem todos os adjetivos tão esperados, mas ele apareceu!
Ele pode ter qualquer defeito, pode não ser meu sonho materializado, mas ele tem algo que todo mundo esquece de pedir: ele é humano, é falho, é de carne e osso, não é um sonho, um holograma, uma marionete!
Ele tem personalidade, é carinhoso, atencioso, apaixonado, dedicado, intenso... ele é a outra metade que eu esperava!
E como eu disse a ele: quando eu menos queria alguém pegando no meu pé, vem você e me pega por inteiro!
Ele é a pausa na minha dor... quem sabe o fim dela?

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Máscaras


Eu sei quem sou e não aceito,
Me descobri e quero me esconder,
Por não querer ser quem eu sou
Vivo cada dia com uma personalidade, uma personagem,
Cada dia um papel, uma comédia, tragédia, drama, romance.
Sigo meu caminho, ou melhor, qualquer caminho que me tire desse estado de inércia. 

NÃO POSSO PARAR. 

Trilho um caminho desconhecido,
Talvez sem volta, 
Talvez tortuoso, 
Mas com certeza sem parada.
Pois a vida não para e eu? 
Eu sigo com ela, às vezes dela fugindo!



segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Ferida

Existem erros que cometemos que mesmo sendo perdoados pelas "vítimas" deles, não conseguimos perdoar-nos.
É muito difícil ver que você se transformou em algo que até então você tinha repulsa, que você condenava brutalmente.
E foi isso que aconteceu e está acontecendo... eu parei para olhar o que tenho feito, com quem e para quem tenho feito, e então eu vi... vi e me assustei!
Como eu pude me tornar isso? Como? Onde começou a sucessão de erros que vem acontecendo há aproximadamente um ano?
Estou tentando ser mais altruísta, abandonando a idéia de que o universo gira em torno de mim, de que só eu tenho sentimentos, de que todos devem ficar se preocupando somente comigo e nada mais...
Ela me fez ver isso e despertou em mim a vontade de mudar. Ou melhor, meu erro com ela desencadeou tudo isso.
É algo imperdoável para mim, existem pessoas que acham exagero, mas eu não me perdôo e nem sei se um dia conseguirei me absolver de tal ato (nem se ela me absolverá).
O mais doloroso não é o ato em si, mas a conseqüência dele, a perda...
Jamais poderia ter errado com ela... jamais.
Só eu sei a falta que ela me faz, o quanto ela é necessária na minha vida, o quanto me dói não conversar com ela e o quanto dói conversar... a cada conversa é como se voltássemos à primeira logo depois do ato e eu desmorono, a dor se exterioriza, o sal corrompe a ferida que não cicatriza e espero que isso não ocorra para que quando eu olhá-la eu veja o quanto eu a mereço...
Doeu. Dói. Doerá!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Eu sou Ofélia...

à Simone Braghin


"Eu sou Ofélia.
Aquela que o rio não conservou
A mulher na forca
A mulher com as veias abertas
A mulher com overdose
SOBRE OS LÁBIOS DE NEVE
A mulher com a cabeça no fogão a gás.
Ontem deixei de me matar.
Estou só com meus seios,
minhas coxas,
meu ventre.
Destruí os instrumentos do meu cativeiro
a cadeira
a mesa
a cama.
Destruo o campo de batalha que foi meu lar.
Escancaro as portas para que o vento possa entrar e o grito do mundo.
Despedaço a janela.
Com as mãos sangrando rasgo as fotografias dos homens que amei e que se serviram de mim sobre a cama
a mesa,
sobre a cadeira
sobre o chão.
Toco fogo na minha prisão.
Atiro minhas roupas ao fogo.
Exumo do meu peito o relógio que era meu coração.
Vou para a rua vestida em meu sangue."


(Ofélia em Hamlet-Machine, de Heiner Müller)

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Partindo :'(

E se meu coração parasse agora, não faria diferença... Tudo já parou!
Eu parei e não vejo motivos para insistir nessa jornada na qual tudo está errado!
Não há motivos para persistir nas feridas, tanto nas minhas quanto na dos outros!
Não há motivos... nem vontade!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Chuva...

E naquele dia eu e Deus choramos juntos... 
Talvez Ele tenha se compadecido da minha dor e quis se mostrar presente! 
Naquele dia eu lavei minh'alma nas águas divinas,
Naquele dia o céu estava  comigo!

Sentidos... sentidos

Ao olhar naqueles olhos eu vi... ao olhá-los profundamente, fiquei cega e me deixei guiar por eles... E me perdi... eu senti.
Aquela boca me roubou as palavras e o paladar, então não pude expressar o que senti ao tocá-la, nem sentir o que provei após tê-la encontrado.
Aquela pele me dominou o tato, depois de sentí-la nunca mais tive tal sensibilidade. Fui indiferente a qualquer toque, a qualquer possibilidade de arrepio.
Suas palavras ainda ecoam em minha mente, meus ouvidos se fecharam para quaisquer outras que tentassem substituí-las. Me tornei surda diante das pessoas que não eram ele, meu mundo.
E o cheiro... nenhum aroma se compara àquele exalado por ele, ainda mais ao exalado por nós.
Usufrui de tudo até esgotar.
E sofri calada, tão em silêncio que não fui capaz de escutar meus próprios gritos, de sentir a dor pulsando no meu peito apertado, a tristeza nascendo em meus olhos e escorrendo pela face... Eu não vi o meu definhar! Eu não te vi me roubar!
Então pereci... e não senti!