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sexta-feira, 25 de março de 2011

Quem sou eu além de mim?

Eu busco a solidão
porque é de mim que eu preciso,
preciso me sentir ao me tocar,
me entender ao me ouvir,
me enxergar ao me olhar.
Preciso de cada parte do meu ser;
do meu coração que a tantos em vão entreguei,
devolvam-no;
preciso das minhas palavras
tantas vezes ouvidas apenas pelo vento,
preciso do meu tempo
desperdiçado, apenas desperdiçado,
preciso de cada milímetro do meu corpo
muitas vezes jogado por entre lençóis e corpos.

Preciso de mim simplesmente,
preciso mais dos meus defeitos que das suas qualidades,
preciso dos meus erros.
Preciso mais de mim
e só de mim...
o resto é complemento,
é molde para minha massa
que sou eu
que é uma farsa!

Dandara Vieira e Fabiana Vicentim

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Monstro

Alguém a capture e a coloque em uma redoma, não por ser ela uma santa, mas por ser alguém nocivo,
Alguém que precisa estar sob observação para que não fira ninguém,
Alguém que necessita de limites muito bem estabelecidos,
Alguém que precisa aprender a ser gente e a conviver com gente.
Mas por que não matá-la de uma vez já que é tão perigosa?
Simplesmente por ser isso o que ela mais anseia, a morte.
Não devemos satisfazê-la, devemos castigá-la,
Fazer com que ela sinta toda a dor que causou,
Que ela beba todas as lágrimas que caíram por sua causa
E que todo esse sal a faça secar aos poucos, lentamente,
Para que ela sofra de forma intensa.
O que ela tem feito de tão errado para merecer tal fim?
Ela se tornou o ser mais desprezível,
mais frio e calculista,
dissimulado e egoísta.
Não pode-se nem ao menos compará-la a um animal, pois este ainda tem sentimentos...
Ela não os tem, é seca, vazia...
O que ela tem?
Nada.
O que ela merece?
Nada...